Em março será lançado o Grito.Doc, documentário que mostrará os bastidores do maior festival articulado da AL. A idéia é simples: O que é o Grito Rock?
Por Paola Delabio | paolalabio@gmail.com
Vinheta de lançamento do documentário Grito DOC 2010
Nas últimas semanas, aqui com o Enxame Coletivo, um dos principais assuntos foi a produção do Grito Rock/ 2010 – edição Bauru. O planejamento fez a articulação, sustentabilidade abraçou suas demandas, comunicação produziu em rede, sonorização segurou a bronca. E, não satisfeitos com os dois dias de shows, banquinha, mostra de vídeos, hospedagem solidária, circulação entre os Gritos da região, o Enxame ainda abraçou mais uma demanda do Circuito Fora do Eixo: o documentário Grito.Doc/2010.
Felipe Maia, na função das filmagens mesmo com um dedo fraturado
O Grito.Doc será composto por uma série de episódios que mostrarão os bastidores do maior festival de música independente da Am. Latina. A idéia é divulgar o dia-a-dia da construção do festival e isso se dará pela perspectiva das pessoas que trabalharam e viabilizarão tudo isso acontecer. Cada episódio acompanhará um ou mais personagens das respectivas cidades que promoveram o Grito/2010. Através desse jogral de personagens, espaços, depoimentos, imagens e sons, os espectadores poderão compreender os diferentes níveis de relações que as pessoas desenvolveram para fazer existir o evento que dá o start nas ações do Circuito Fora do Eixo para esse ano.
Para possibilitar a construção em rede o roteiro foi desenvolvido colaborativamente com três coletivos regionais organizando essa manobra (Massa Coletiva (SP), o Espaço Cubo (MT) e GOMA (MG)). No roteiro, cada coletivo envolvido escolhe um tema disponível e se responsabiliza por um episódio. Ao todo 15 coletivos se dividem entre os temas logística, produção, montagem, circulação, bandas, membros dos coletivos, banquinhas, hospedagem solidária, pós-produção, formação de público e produção colaborativa.
Nevilton e Leptospirose no restaurante Skinão: bandas quiseram conhecer a receita do legítimo sanduíche Bauru
BAURU: HOSPEDAGEM SOLIDÁRIA Para a cidade de Bauru, nenhum tema se encaixaria melhor do que a “Hospedagem Solidária”. Bauru é um prato apetitoso para o documentário, pensando que o coletivo é formado majoritariamente por universitários, ou recém formados, que vivem intensamente uma vida de repúblicas, trocas e solidariedade. Bem, material para o documentário não faltará.
Confraternização (after) após primeira noite do Festival Grito Rock Bauru; pessoal na concentração aguardando para tomar café da manhã no Abril em Portugal
E agora que o festival passou, é hora de guardar tudo na memória, mental e digital, os momentos, os amigos, os shows, as conversas, as trocas e todo aprendizado. As filmagens foram capitadas, então é partir para pós-produção e torcer pelo resultado final. É certo que muitos personagens interessantes surgirão e com suas informações será possível entender a complexidade desse festival interligado. Com o Grito.Doc, mesmo quem não esteve presente poderá ver QUEM e o QUE foi o Grito Rock/2010.
Cidade recebe turnê de trio de pós-punk de Sorocaba; depois de tocar em Bauru, a banda viaja para o exterior, onde se apresentará no Canadá e EUA
Por Gabriel Ruiz | enxame.com@gmail.com
Nesta terça-feira (23/02) Bauru recebe show com a banda The Name (http://myspace.com/thenamemusik) no pub Área 51, a partir das 23h. O evento insere Bauru na rota da banda sorocabana, que no início de fevereiro caiu na estrada rumo ao Sul do País e agora encerra a turnê retornando ao estado de São Paulo.
Depois de Bauru o trio segue para Campinas, Sorocaba e no mês de março viaja para o Canadá e Estados Unidos, onde fará cerca de dez shows, com apresentações em festivais importantes como o Canadian Music Week (Canadá) e South by Southwest (EUA). “Em novembro de 2009, fizemos uma tour pelo interior de São Paulo com a banda canadense Hollerado. Nos tornamos bons amigos e ele curtiram muito o The Name, então eles nos convidaram parar alguns shows lá fora” - conta o vocalista e guitarrista da banda, Andy, que tem ainda Bruno Alves (bateria) e Molinari (baixo).
Parte do sucesso do The Name vem com o lançamento do EP “Assonance”, de 2009, muito bem aceito pela mídia especializada, com citações na Revista Rolling Stone, além de publicações e resenhas em veículos nacionais e internacionais. Já o último trabalho “You Want it Back Now”, um EP com três músicas, também de 2009, garantiu a veiculação do vídeoclipe da faixa-título na grade de programação da MTV. Os dois EPs podem ser baixados no site da banda.
Quem abre o show do The Name em Bauru é a bauruense Pé de Macaco, que mistura vários estilos musicais, como ska, rock, rap, samba e blues. Formado em 2009, o grupo vai mostrar suas primeiras composições autorais, produzidas entre dezembro e o início deste ano.
Cadastre-se na lista amiga e gaste menos
O evento é outra realização do Enxame Coletivo com o objetivo de dinamizar a cultura local, proporcionando música autoral de qualidade à preço acessível. Até as 18h da terça-feira, quem enviar nome + e-mail para: lista@enxamecoletivo.org paga apenas R$3. Será necessário apresentar um documento que comprove os nomes listados. Na portaria, a entrada custará R$5.
Serviço:
Show com as bandas The Name (Sorocaba / SP) e Pé de Macaco (Bauru / SP)
Quando: terça-feira (23/02) – a partir das 23h
Onde: Pub Área 51 (Av. Duque de Caixias, 8-40)
Quanto: R$3, com nomes e e-mail cadastrados na lista@enxamecoletivo.org ou R$5 a portaria.
Evento reuniu dez bandas, em dois dias de shows, com uma média de 120 pessoas circulando em cada noite
Por Renato Tomate | Fuligem Fotos: Artur Faleiros, Gabriel Ruiz, Eduardo Porto e Paola De Labio - Enxame Foto
Ah la la oôoôo mas que caloôoôor! Se por aí o carnaval é lembrado como uma data de folia, calor, animação e muita música, Bauru não tem do que reclamar. Realizado pelo Enxame Coletivo, o festival Grito Rock passou pela cidade nos dias 12 e 13 de fevereiro, além da 1ª Mostra de Curtas Fora do Eixo Bauru, promovida no dia 11. Ao todo, no festival, dez bandas se apresentaram, cerca de doze horas de música e algumas garrafas, copos, cordas e fronteiras quebradas.
Em parceria com coletivos como Massa Coletiva e Colméia Cultural, o evento reuniu bandas de Bauru, Araraquara, São Carlos, Assis, São Paulo, Barra Bonita, Bragança Paulista, Umuarama (PR) e da longínqua Belém do Pará, o que prova que o circuito Fora do Eixo paulista está se fortalecendo e firmando cada vez mais laços com os interessados em promover a cultura independente nacional.
O primeiro dia – 12 de fevereiro (sexta-feira)
Como boas anfitriãs da edição de Bauru do maior festival integrado da América Latina, a banda Dots, representante do punk rock da cidade, foi a primeira a subir no palco da Área 51. Acompanhadas do baterista Diego, a guitarrista e vocalista Ethiene e a baixista Tamylin mostraram que têm boa pegada e entrosamento de dar inveja a muito marmanjo. Com destaque para o baterista, que deu um peso extra para a banda, a Dots animou o público com composições próprias que puxam para o pop, em sua maioria na língua inglesa. Vale lembrar que as meninas estão organizando uma excursão para o show da banda de punk rock californiano NOFX.
Seguindo a programação, o próximo show seria do bauruense Bonequinho. Porém, os integrantes da banda Eu Serei a Hiena precisavam pegar a estrada mais cedo e pediram para tocar em segundo lugar. Feitas às mudanças necessárias, o Enxame Coletivo deu continuidade ao Grito Rock Bauru 2010.
Com integrantes de grandes nomes da cena independente como Ratos de Porão e Dance of Days, o Eu Serei a Hiena mostrou porque a música instrumental ganha cada vez mais espaço nos palcos do Brasil. Para o guitarrista Paulo Sangiorgio Jr, que exigiu bastante de sua correia ao jogar, puxar e empurrar a guitarra para cima e para baixo, o Grito Rock tem uma grande importância para a cultura regional. “Nós somos um grupo que não toca muito por causa dos compromissos com nossas outras bandas. Fazemos questão de tocar nesses eventos, porque isso é mais que um show é uma movimentação política”, disse ao público. A banda faz turnê de seu novo disco, Hominis Canidae, que surpreende logo de cara com uma capa em forma de cabeça de hiena.
O calor dentro da Área 51 estava aumentando. Foi para fazer o público suar a camisa que o grupo Bonequinho, de Bauru, trouxe seu experimentalismo ao Grito Rock. Com direito a grind core misturado com batidas de alfaia e uma pegada mais noise que o show da Seletiva Grito Rock, a baixista Amanda foi a responsável pela presença de palco do grupo. Além de berrar, Amanda tocou guitarra e agitou o show com sua dança meio esquizofrênica meio primitiva. Depois de levantar a galera durante a Seletiva, Bonequinho fez alguns torcerem o nariz e outros pularem de euforia na noite de sexta.
Eis que chegou a vez dos filhos do tropicalismo. Direto de Araraquara, Os Rélpis deram uma abrasileirada no Festival. Misturando sem dó forró, baião, funk e um leve rock n’roll a banda mostrou que é muito melhor em cima do palco. Mas não totalmente em cima, o lugar ficou pequeno e o vocalista Garboso Pavão ficou no chão dançando cara a cara com o público durante todo o show. O tempo limite para a apresentação também ficou pequeno, atendendo ao público, Os Rélpis fizeram um repetéco com uma versão doida da pimentinha, Elis Regina.
Para fechar a noite de sexta-feira, mais uma banda instrumental veio à frente no Grito Rock Bauru. As Aeromoças e Tenistas Russas, subiram com cerca de meia hora de atraso, muitos já tinham ido embora. Meio embriagados fizeram as pernas já cansadas dançarem até depois das 4h da manhã. O guitarrista e saxofonista Thiago Hard deu toques de jazz ao show com seu metal.
O público foi para casa por volta das 04h30 para descansar e deixar a Área 51 esfriar. Sábado prometia mais suor, calor e música de qualidade.
O segundo dia – 13 de fevereiro (sábado)
O pessoal foi pra casa na sexta, mas a movimentação continuou para o Enxame. O coletivo ficou responsável pela hospedagem solidária das bandas. Ninguém ficou de barriga vazia, e sono só sentiu quem precisou cair na estrada logo cedo no sábado, afinal o Grito continuava. Por volta das 22h a movimentação já começava na porta da Área 51.
A banda Lossotros, de Assis, cidade da região de Bauru, aproveitou o carnaval para mostrar sua mistura samba rock. Apesar de pouca presença de palco, o quarteto fez um show com repertório animado. Os solos de guitarra marcantes com acompanhamento, hora do pandeiro, hora do baixo, fez a galera sambar no começo da noite de sábado.
A próxima banda também veio da região de Bauru. Purunga e os Etilicorpos, de Barra Bonita, trouxe ao Grito Rock uma pegada mais pop/ rock sem deixar de lado a guitarreira. O guitarrista Álvaro Mesquita (foto) mostrou de onde vem a influência mais rock n roll da banda. A galera respondeu bem aos garotos de Barra Bonita e agitou durante a última noite do Grito Rock Bauru.
E então outra banda que prometia muita barulheira e velocidade. O trio Leptospirose, de Bragança Paulista, fez o público ficar com a roupa molhada. Durante o hardcore pesado, com direito à viradas sensacionais, a galera não resistiu e formou uma roda punk dentro do pequeno Área 51. O bate-cabeça rolou solto e foi terminar somente quando o Leptospirose encerrou o show ao som de Dead Kennedys.
Quique convidou ainda a banda Bonequinho para fazer uma jam, momento histórico do Grito Rock Bauru. Na semana anterior o trio bauruense viajou até a cidade da Leptospirose, onde realizaram três ou quatro shows. A camaradagem só continuou no palco, com direito a dois bateras.
Agora vem o momento que simboliza bem o espírito do Grito Rock Bauru 2010. Se você já ouviu as bandas Nevilton e Leptospirose com certeza notou que as músicas e estilos das duas bandas são bem diferentes. Basta olhar para o guitarrista e vocalista do Leptospirose, Quique Brow, com sua viseira, cabelão e bigodão para ver que as duas bandas são paradoxais. As cordas da guitarra arrebentaram, e acredite, não foi a de Quique. Nevilton devia estar muito empolgado e estorou a corda de suas duas guitarras. Em um gesto de camaradagem, Velhote emprestou a sua e o show foi até o fim, mostrando que as diferenças somam e não dividem.
A banda Nevilton tem bastante rock n roll em suas melodias. Com riffs caprichados e alguns que chegam até a lembrar Jimi Hendrix - apesar da sonoridade desses artistas serem diferentes - o trio de Umuarama, Paraná, fez bonito na Área 51. Um dos pontos altos do show aconteceu quando Nevilton convidou o Enxame Artur Faleiros para fazer uma apresentação com bola de contato durante uma das músicas. E lá se foi o penúltimo show.
A última banda viajou 2.727km de Belém do Pará para chegar até a cidade de Bauru. Nem por isso Juca Culatra e o Power Trio estavam cansados na hora do show de encerramento do Grito Rock Bauru 2010. Com uma pegada jamaicana que mistura reggaes, dub e ska, o quarteto fez questão de fechar a noite com um sambinha para marcar o carnaval. Utilizando seu equipamento de efeito vocal, Juca Culatra cantou letras descontraídas no meio da galera, que como resposta se mexeu e dançou até o fim.
A organização do Grito Rock Bauru correu dentro do planejado. A correria continuou durante o carnaval, algumas bandas saíram de Bauru e foram para Araraquara e São Carlos. O Enxame Coletivo mostrou que o Área 51 será pequeno para 2011.
No sábado, rolou discotecagem radiofônica Independência ou Marte na figura de Jovem Palerosi (foto) e seus efeitos malucos. De improviso num dos balcões do bar, Jovem mandou artistas da cena independente nacional e colaborou para que a transmissão do Festival via webrádio fosse possível.
Cobertura Audiovisual
Para quem não pôde curtir o festival de Bauru, calma. Ao longo dos dois dias de Grito Rock na cidade, o Enxame Coletivo fez a cobertura audiovisual do festival. O material conta com filmagens de parte dos shows, depoimentos de organizadores e artistas que tornaram possível a chegada do maior festival integrado da América Latina à Bauru. O material está sendo compilado e editado para mais tarde originar um minidocumentário, que deverá ser disponibilizado em março.
Devido a problemas na adaptação do software, a transmissão via webrádio não foi feita no dia 12. Porém, no sábado (13) a Rádio Enxame foi ao ar e mesmo por volta das 5h da manhã, quando o Grito Rock Bauru chegou ao fim, três ouvintes continuavam acordados e com os ouvidos abertos para os shows do festival.
No dia seguinte, o Enxame convidou quem ainda estava na cidade para almoçar o tradicional sanduíche bauru, no restaurante Skinão:
É, o Grito Rock Bauru nem bem acabou, mas na semana que vem já temos mais bandas bacanas circulando na cidade. Na próxima terça-feira (23/02), as bandas Pé de Macaco (Bauru) e o trio de pós-punk The Name (Sorocaba) tocam no pub Área 51, com convites a R$5 na hora e a R$3 na lista amiga. Para se cadastrar na lista amiga, envie seu nome completo (e dos seus amigos) e e-mail para:
lista@enxamecoletivo.org até as 18h do dia do show.
Conheça a banda
The Name saiu em turnê no comecinho de fevereiro a partir do Sul do País e veio "subindo" para o Sudeste. Depois de passar pelo Paraná, a banda chega ao estado de SP, com shows em Araraquara, Bauru e outras cidades. Na segunda dezena de março, o grupo arruma as malas e segue para trinta dias no exterior do país, cruzando os Estados Unidos e o Canadá dentro de uma van e tocando em diversas cidades, além de três importantes festivais: Canadian Music Week (Toronto), South By Southwest (Texas) e VOV (Arkansas).
*capa de "Assonance", produzida por um colaborador norte-americano
Formado em 2006, já teve seu groove dançante como destaque em diversos veículos especializados, nacionais e internacionais. Na estrada, o The Name já dividiu o palco com importantes nomes do cenário independente e também teve participação em vários festivais renomados do país. Com dois EP’s e dois singles na discografia, o grupo está divulgando o novo single “You want it back now”, que conta ainda com um clipe veiculando na MTV.
Os dois Eps do The Name "Assonance" e "You Want it Back Now" podem ser baixados no myspace. Depois, dia 23, é só colar e dançar.
LEIA MAIS:
Leia a resenha que Marcelo Santiago, do blog Meio Desligado, escreveu sobre "Assonance";
Na figura de Jovem Palerosi, projeto de discotecagem que se apresenta em vários Festivais Grito Rock, discoteca hoje em Bauru
Por Gabriel Ruiz | enxame.com@gmail.com
O Independência ou Marte é um projeto multimídia dedicado à música brasileira contemporânea, que acredita que a arte e a comunicação necessitam transmitir ideais de transformações sociais e inovações estéticas que sejam coerentes com o desenvolvimento deste cenário cultural. O projeto começou na Rádio UFSCar como um programa semanal de duas horas inéditas, que está no ar desde junho de 2007. Dentro de suas duas horas de duração, as pesquisas buscam contemplar a diversidade da cena musical das diversas regiões do país, sem se direcionar a algum gênero pré-estabelecido. Para isso, também faz parte das pautas do programa a conexão com os mais diversos coletivos e organizações do país, seja através de entrevistas ou da cobertura e divulgação dos principais eventos e festivais que estão em consonância com essa forma de produção.
Um espaço de destaque dentro do projeto são as Transmissões Independentes, com as performances Ao Vivo nos estúdios da emissora. Além de ser veiculado no Rádio FM e na Internet, o material do primeiro ano de atividades foi compilado no fonograma (SMD) Transmissões Independentes Vol.1. O volume 2 será duplo está previsto para o primeiro semestre de 2010.
De São Carlos, Jovem Palerosi trocou uma ideia por e-mail, confira.
Enxame Coletivo:Sobre as pesquisas sonoras que vcs realizam, como elas ajudam a compor o repertório do indie or mars?
Jovem: Mesmo antes de trampar com som mesmo a gente já tinha essa fissura de pesquisar muita coisa, em diversos estilos e tal...quando surgiu o programa Independência ou Marte o que nós fizemos foi focar esse lance na música brasileira independente, a princípio para compor as 2h de conteúdo semanal que a gente produz. Daí, depois de 1 ano, no início de 2008, rolou um acúmulo interessante dentro dessa diversidade, com muito som bom, e foi quase que natural levar isso também para os eventos que o projeto passou a produzir. Foi então, que começou a ser formada a identidade da Discotecagem Radiofônica, que faz uma seleção dentro de tudo que a gente saca, ressignificando a maneira de propagação desses sons. A idéia é expandir o máximo possível dos gêneros, mas é claro que tem algumas fusões que são mais a cara do projeto, na busca por inovação de linguagem e experimentação.
Esse lance que tu falou "ressignificando a maneira de propagação desses sons", como seria isso?
Tem um lado que é a falta de espaço para difusão da maioria dos artistas que veiculamos...daí, a idéia é ressignificar a maneira de divulgar esses sons. e se tornar mais uma mensagem positiva sendo propagada...
Ao mesmo tempo, buscamos novos sentidos também na questão da Discotecagem propriamente dita, com as mixagens e outras intervenções que fazemos...
Dentro dessa busca por inovação de linguagem e experimentação, acho que seria legal pontuar alguns sons como exemplo pra ficar mais claro; até pra quem vai ler a entrevista...
Bueno, varia bastante, mas sempre rola um ProjetoNave, Mamelo Sound System, Coletivo Radio Cipó, entre outros grupos que procuram criar fusões entre gêneros musicais. Muitas delas, como eu disse, já gravaram no programa, e à partir disso, a gente também busca trazer sons "inéditos".
Pra sacar melhor, recomendo dar uma sacada nas nossas Mixtapes:
- Mixtape Independente Vol.4
- Mixtape Independente Vol.3
Nas andanças do ano passado, que cidade marcou? Nessa linha ainda, seria legal contar se já teve alguma banda que entregaram CDs (ou algum tipo de material) e foram direto para o repertório indieormars...
Cara, pela experiẽncia do lugar mesmo, acho que Rio Branco foi um lugar que mexeu forte, pela áurea que a Amazônia possui em volta de uma cidade que é bonita pra caralho e puta desenvolvida em termos culturais. Deu pra sentir profundamente isso, mesmo sem conhecer tão a fundo ainda, já que ficamos a maior parte do tempo imersos no II Congresso Fora do Eixo e no Festival Varadouro, que foram absurdos de importantes para essa história toda.
A experiência da Semana Limbo em Recife no ano passado também foi algo fenomenal, com uma vivência doida na casa em que estávamos, com as bandas e o Lumo Coletivo, com a cidade, os eventos e programas que participamos...foi intenso como toda a complexidade daquele estuário artístico. Seríamos muito injustos também se não citássemos as experiências em Uberlândia e Cuiabá, principalmente nos Festivais Jambolada, Calango e o Consciência Hip Hop, entre outras experiẽncias com os coletivos de lá. Mas é foda...todo lugar que se conhece acaba sendo muito importante para retroalimentar uma identidade coletiva, acumular experiências e amadurecer dentro desse processo de transformação artística e de comunicação.
Quando ao contato com as bandas...claro que rola mta coisa direta nesse sentido do material e o repertório, mas é difícil de lembrar tão claramente, porque as coisas se confundem bastante nesse relação de identificação, parceria de trampo e mesmo amizade. O que lembro de ter rolado mais intenso nessa relação estética com pessoas que passamos a conhecer um pouco melhor foi a galera do Casarão Cultural Floresta Sonora, que sempre tão jogando coisa na nossa mão mesmo antes de finalizar direito, mas é massa pq são sempre coisas bem sinceras e absurdas no sentido de produção musical e valorização do contexto regional lá de Belém. Outra experiência que rola também é das gravações de músicas novas nas Transmissões Independentes que fazemos lá na Rádio UFSCar, o que possibilita a gente usar os sons e mesmo ressignificar eles na Discotecagem.
Além dos dois impressos locais, Jornal da Cidade e Jornal Bom Dia, a rádio 94 FM e o site Revista Tag, publicaram reportagens sobre o Festival Grito Rock Bauru, confira:
O carnaval chegou. O maior feriado nacional começa a tomar forma em todos os cantos, impossível não sentir o clima. Para quem não curte um carnaval folião, máscaras, batuques e marchinhas, a alternativa em mais de 80 cidades da América Latina é o Festival integrado Grito Rock América do Sul.
Bauru é uma das dez cidades do estado de São Paulo que realiza o evento, organzanizado pelo Enxame Coletivo em parceria com o Circuito Fora do Eixo. Ao longo do Grito Rock Bauru dez bandas se apresentarão. Hoje mesmo, no fim da tarde, as bandas já estarão na área, mais de 15 artistas e agentes culturais. Da sede provisória do Enxame Coletivo, as três bandas "estrangeiras" confraternizarão um jantar coletivo e serão abrigadas em quatro casas bauruenses - projeto de hospedagem solidária, ideia difundida na série de campanhas do Circuito Fora do Eixo para o Festival Grito Rock, que visa a auto-gestão e a redução de gastos do evento.
O Enxame aproveitará o tema "hospedagem solidária" para produzir um documentário local que fará parte do projeto GRITO DOC - uma compilação de capítulos, separados por assuntos que pretende passar a amplitude e as características gerais do Festival Grito Rock.
5 bandas, $5 Reais e mais de 5 horas de som
A ideia é essa mesmo, promover uma opção de entretenimento para o carnaval, com música de qualidade e sem enfiar a faca no público. Se o leitor está cogitando escapar da folia e se jogar no rock, irá desembolsar a bagatela de R$5, para ver 5 bandas em mais de cinco horas de música. Programe o esquenta: a primeira banda sobe as 23h e cada show terá uma hora de duração. Veja o que rola na primeira noite musical do Festival Grito Rock Bauru:
O trio abre o Festival, tendo conquistado uma das quatro vagas de Bauru e região na Seletiva Grito Rock Bauru realizada no dia 30/01. A banda começou seus primeiros ensaios em 2003 realizando alguns covers de bandas de hardcore e punk rock internacionais e também compondo músicas próprias. Ethiene (guitarra e vocal), Tamylin (baixo e vocal) e Diego (bateria) fazem um som com pegada hardcore e influências de bandas como Millencolin, NOFX, Face to Face, Distillers, Hole, entre outras do gênero. Além de tocar em Bauru, a banda já se apresentou em cidades da região, entre elas Penápolis, Marília e Limeira.
Segunda banda regional, fez uma apresentação notável na Seletiva, digna de quem já está na estrada há 15 anos. Bonequinho é a banda experimental e multidisciplinar com trabalho autoral mais antiga em atividade em Bauru e região. A improvisação autodidata em resultados extremos é uma constante maior do bonequinho. “Noise rock”, “arte (pós-)punk/arte crua”, “antiarte pós-industrial” e “surrealismo sonoro” são rótulos menores, porém cabíveis em muitos aspectos descrevendo a condição underground ou marginal do projeto. Bonequinho ampliou sua divulgação com a internet nos anos 2000. Independente, produz CDs, vídeos e fanzines e os lança em pequenas escalas artesanais ou virtualmente, inclusive no exterior. Parte de sua produção e exposição pública está reunida no blog BONEQUINHOLOGIA (bonequinhologia.blogspot.com).
Quarteto paulistano fará o terceiro show da noite, um som de vanguarda que remete ao instrumental do Hurtmold. A banda inclusive, foi indicada a categoria "instrumental" do VMB 2009 (Video Music Brasil), da premiação da MTV. No mais recente trabalho (Hominis Canidae - 2009), a dupla de guitarristas mostra um trabalho primoroso, com “diálogos” ininterruptos e fraseado inconfundível amparada por uma cozinha sólida em canções com acento pop e melodias que não desgrudam da cabeça como “Doppelgänger”, “Yes (I do)” – conduzida para algo belíssimo e sombrio pela cantora convidada Isabel “Bluebell” Garcia. "Na Expectativa” (essa cantada pelo baixista Wash, outro ponto alto) convivem harmoniosamente com peças instrumentais intrincadas como “Descompressão”, suingadas como Nheengatú (com Daniel Ganjaman nos teclados) ou tudo isso ao mesmo tempo como em “Talking and thinking about the weather”, as raízes hardcore da banda aparecem em Migraine (com Leo do Street Bulldogs no vocal) e Blank Pages (com vocais de Rogério Salles).
A proposta da banda de Araraquara, parceira do Colméia Cultural é misturar uma gama de influências um tanto quanto curiosas, na verdade, curiosamente boas. O som remete ao psicodelismo dos anos 60/70 e compõe o que chamam de sonoridades antropofágicas, tropicalismo umidecido e o comicismo trágico.
Outra que chega do interior paulista, de São Carlos. Artista parceiro do Massa Coletiva, encerrará a primeira noite do Festival sem dúvida nenhuma em grandioso estilo, entre outros, com o brilhantismo do saxofone e a lisergia dos teclados, típicos do quarteto, que mescla de sons e diversas influências, como o jazz, o rock e o funk, para citar algumas. Outro aspecto da banda são as linhas de baixo que ajudam a compor um clima lounge, ora funk, ora um poderoso groove dançante, alternado com quebras e longas frases instrumentais viajantes. Não tem erro.
Serviço: Festival Grito Rock Bauru com as bandas Bonequinho, Dots, Aeromoças e Tenistas Russas, Os Rélpis e Eu Serei a Hiena; Aonde: Pub Área 51 (Av. Duque de Caixias, quadra 8) Quanto: R$5
Serão dois dias de shows com quatro bandas de Bauru e região e seis do cenário nacional; evento terá ainda mostra de curtas-metragens
Por Gabriel Ruiz | enxame.com@gmail.com
Marcado para o mês de fevereiro, o Carnaval é uma grande concentração de festejos populares. Cada cidade brinca a seu modo, de acordo com seus costumes. Em Bauru, além do tradional carnaval de rua, a cidade terá mais uma opção para o feriado prolongado. O Enxame Coletivo em parceria com o Circuito Fora do Eixo, realiza a edição Bauru do Festival Grito Rock América do Sul. O festival acontece nos dias 12 e 13 de fevereiro no bar Pub Área 51e terá um total de dez bandas, com mais de dez horas de som.
Quatro delas são de Bauru e região (Assis e Barra Bonita), escolhidas através da "Seletiva Grito Rock Bauru 2010", prévia local realizada em duas etapas. Na primeira, o Enxame Coletivo recebeu 12 inscrições e elaborou uma curadoria (formada pelo Enxame Coletivo e outros três convidados) para eleger seis bandas que se apresentaram em Bauru no dia 30 de janeiro. "A prévia local foi importante para ver quais bandas estão realmente afim de tocar e trabalhar a cena local", enfatiza o responsável pelo Planejamento do Enxame Coletivo, Luccas Barrossa. Desta etapa, quatro classificaram-se e fazem show ao lado de seis artistas selecionados via Toque no Brasil, portal que mapeou bandas nacionais (ao todo 72) interessadas em tocar no Grito Rock Bauru.
Circuito Nacional
Outra característica está no formato, que optou por uma variedade de estilos musicais, como reggae-dub, experimental, funk, instrumental, hard-core e o rock ´n roll. No palco estarão nomes que ganharam notoriedade em 2009, como Nevilton (www.myspace.com/nevilton), trio paranaense, comentando na Revista Rolling Stone e cujo show foi eleito o segundo melhor pelo site especializado em música Scream &Yell.
*Eu Serei a Hiena
Da capital paulista Eu Serei a Hiena (www.myspace.com/eusereiahiena), som instrumental de vanguarda, formada por quatro integrantes de bandas renomadas como "Ratos de Porão"e "Dance of Days" e indicada à categoria "Rock Instrumental" da premiação da MTV, o Video Music Brasil (VMB 2009).
*Aeromoças e Tenistas Russas
Também de São Paulo, mas do interior vêm Leptospirose (www.myspace.com/leptospirose), clássico consagrado do punk nacional e Aeromoças e Tenistas Russas (www.myspace.com/aeromocasetenistasrussas), que mistura rock, com groove, funk, com teclados lisérgicos e frases instrumentais densas.
Os Rélpis
A terceira banda do interior de São Paulo é a família Os Rélpis (www.myspace.com/osrelpis), que remete ao psicodelismo dos anos 60/70, a banda de sete pessoas mostrará no palco como consegue mixar suas sonoridades antropofágicas, tropicalismo umidecido e o comicismo trágico.
*Juca Culatra & Power Trio
Da região mais distante, de Belém (PA), Juca Culatra & Power Trio (www.myspace.com/jucaculatrapowertrio) fecha a noite de sábado (12) no Grito Rock Bauru, com good vibes. O quarteto carrega uma gama de influências que vão de música erudita, ritmos negros brasileiros ao rock, sempre com uma base reggae-roots e letras sobre mazelas sociais, degradação ambiental, tratados com ironia e humor.
Bauru é uma das dez cidades do estado de São Paulo a produzir o Festival Grito Rock América do Sul, que este ano firma-se como o maior festival da América Latina. Envolvendo mais de 80 cidades no Brasil (além de Buenos Aires, Córdoba - ambas na Argentina, e Santa Cruz de La Sierra e Montevideo), o evento organizado pelo Circuito Fora do Eixo deve apresentar mais de 600 shows de música, além de apresentações em outras linguagens, como teatro e audiovisual.
Mostra de curtas abrirá Festival em Bauru
Paralela a programação de shows, o Enxame Coletivo promove a “1ª Mostra de Curtas Fora do Eixo Bauru”. A mostra acontece no dia 11 de fevereiro e contará com produções locais, além de filmes disponíveis no acervo virtual de outros coletivos culturais do País. Os vídeos serão exibidos no Auditório do Teatro Municipal de Bauru, a partir das 19h30, com entrada franca.
Evento terá cerca de duas horas de duração e conta com oito filmes, entre produções locais e de outras regiões brasileiras; três são mini-documentários
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Paralela a programação de shows da edição Bauru do Festival Grito Rock América do Sul (dias 12 e 13 de fevereiro), o Enxame Coletivo, em parceria com a Secretaria de Cultura, promove a “1ª Mostra de Curtas Fora do Eixo Bauru”. A exibição acontece no dia 11 de fevereiro, no Auditório do Centro Cultural, a partir das 19h30, com entrada franca.
Na tela, curtas-metragens locais, além de filmes disponibilizados no acervo virtual de coletivos do Circuito Fora do Eixo (www.foradoeixo.org), a maior rede de cultura livre do País. Dos nove filmes, dois são representantes bauruenses: “Reflexo” (2008), produção universitária (Unesp-Bauru), que conseguiu chegar à telona local (Cine ´n Fun - Alameda Quality Center), em 2008. O segundo é “O Cheiro” (2009), curta-metragem independente exibido em uma mostra em dezembro de 2009, na OAB-Bauru e no Festival Psicodália (SC), em janeiro de 2010.
Dos representantes de fora, o Massa Coletiva, de São Carlos, é o principal colaborador. Metade dos filmes são produções do acervo virtual do coletivo, entre eles, “O desgosto dá mais lenha pra pensar” (2008), exibido no festival paulistano “Cinema em Curso 3”ena mostra mineira “Mostra CineBH”. Outro vídeo são-carlense é o documentário “Palco Roosevelt” (2009), que fala sobre a conhecida praça Roosevelt, no centro da metrópole São Paulo (Roosevelt), propondo um reflexo sobre cotidiano e o uso do espaço público.
Já um dos filmes cedidos pelo Coletivo Goma, de Uberlândia (MG), é um mini-documentário a respeito do segundo disco da banda Porcas Borboletas, intitulado “A Passeio com Porcas Borboletas”. Da região Sul, “Macondo” é o terceiro mini-documentário, que narra a história de como foi concebido o “Macondo Lugar”, casa referência de fomento e integração cultural situada em Santa Maria (RS), quinta maior cidade do estado.
Veja os curtas que participam da 1ª Mostra de Curtas Fora do Eixo Bauru:
O Cheiro (Bauru / 2009)
Reflexo (Bauru / 2009)
O desgosto dá mais lenha pra pensar (São Carlos / 2008)
Deus pode ser um ator (São Carlos / 2009)
Palco Roosevelt (São Carlos / 2008)
Macondo (Santa Maria / 2009)
A Passeio com Porcas Borboletas (Uberlândia / 2009)
Cheirosa (Uberlândia / 2009)
Serviço:
1ª Mostra de Curtas
Fora do Eixo Bauru
Quando: 11/02, quinta, às 19h30
Onde: Auditório
do Centro Cultural (Av. Nações Unidas, 8-9)
Cinco bandas se apresentaram, com cerca de 25 minutos de palco cada; público achou que evento poderia ter durado mais
Por Graziele Shimizu Edição: Gabriel Ruiz
Fotos: Murilo Moro
A Seletiva do Grito Rock Bauru começou pouco depois das 22h, quando a banda Purunga e Os Etilicorpos subiu. Antes, a produção do Enxame recebeu a equipe da coluna social do Jornal da Cidade, que apareceu de surpresa fotografando geral. Realizamos o sorteio da sequência de apresentações e Artur Faleiros subiu para anunciar a abertura da Seletiva Grito Rock 2010:
A primeira banda, PURUNGA E OS ETILICORPOS, estava terminando de passar o som. O baixista, com sua bela correia de estampa de vaca, chamou atenção de quem prestava atenção na estética do conjunto, e se pôs em evidencia entre outras duas guitarras e o baterista. O microfone baixo comparado ao resto do som deixava difícil entender as letras da banda de Barra Bonita. Músicas com influência no grunge, no rock ´n roll clássico, com uma pegada pop também, fizeram sucesso entre fãs que cantavam músicas inteiras e o público que apreciava a banda pela primeira vez. Um show reto, sem ousadias, que recebeu tanto elogios quanto críticas ao longo da apresentação, que se iniciou com uma música forte com solo de guitarra, e terminou com uma baladinha mais lenta e romântica.
Purunga
LOSSOTROS, a segunda banda, vinda de Assis, mistura a inúmera etnia brasileira com o rock ‘n roll, pandeiro e guitarra, uma tentativa de canalização de estilos da música do nosso país com o aboio do sertão. O público sentiu uma falta de foco em toda essa fusão de estilos e sons.
Muita presença de palco, uma bela recepção da platéia quanto à animação, um figurino variando entre camisa de bolinhas vermelhas e calça de capoeira, mostraram quebras clichês de maracatu à reggae, influências da banda Cordel do Fogo Encantado e Nação Zumbi, e também uma levada blues. A banda de Assis, com apenas uma guitarra, mostrou solos mais marcantes do que a primeira banda.
A banda BONEQUINHO, terceira da Seletiva e com mais de 15 anos de estrada, começou a apresentação com uma música que segundo a platéia, “quebrou tudo”, com um som muito mais pesado, difícil de ser entendido por algumas pessoas, e muito cultuado segundo a grande maioria. O som experimental despertou, em muitos momentos, a pergunta “para quê guitarra no rock ‘n roll?”.
A baixista Amanda iniciou de joelhos no chão, trocou o baixo pela guitarra, o vocalista trocou a guitarra por um tambor, gritou elegante e fortemente, enquanto o baterista tomava conta em solos e marcantes de quebras.
DOTS, a quarta banda, entrou numa pegada mais hardcore, com duas meninas (a vocalista e guitarrista, e a baixista) e o baterista, que chamou muita atenção durante toda a apresentação. Comparações com o glam power adolescente, entre prós e contras, recebeu elogios e mesmo quem criticava reconhecia o valor do som executado.
Dentre as músicas, quase todas em inglês, a última, em português, animou muito o público e gerou muitos pulos e energia muito boa entre a platéia. A banda com os integrantes mais novos entre todas as outras, já está a cinco anos fazendo shows, e é influenciada por sons desde o reggae do Planta e Raiz ao hardcore do MXPX.
No meio da noite, (talvez pelo caos gerado pós-show da banda Bonequinho), a casa lotou, as comandas acabaram, o estoque do bar não estava preparado: a cerveja também esgotou, fator que desacelerou o ritmo da noite. "As cervejas chegaram, mas estavam quentes; chegar num lugar e não ter cerveja é falta de organização - dos donos do bar - e muitos já ficaram de bode" - disse uma das mais de 120 pessoas que colaram no Área 51. Entre microfones baixos e baterias altas, o público reconhecia o valor do evento, que envolveu bandas independentes e foi apenas o primeiro acontecimento produzido pelo Enxame Coletivo.
Durante os intervalos rolou discotecagem temática "Indie Brasil". Entre outras, Cassim & Barbária, The Name, Móveis Coloniais, Black Drawing Chalks, Macaco Bong, Autoramas, The Dead Rocks, Pata de Elefante, Mombojó, Sweet Funny Adams e Trilöbit.
*A última banda, ESTEREOTERAPIA, que já abriu shows de bandas como Los Hermanos, Autoramas e Mop Top, recebeu o título do público de banda de melhor qualidade técnica e som melhor executado, além de banda mais madura da noite, e também mais pop. A banda afirma que não importa o rótulo, mas o reconhecimento do som.
Entre as músicas, um poema gravado de Carlos Drummond de Andrade. Algumas pessoas diziam que a penúltima banda deveria entrar depois desta, pelo som mais calmo e menos dançante da Estereoterapia.. A banda fechou a seletiva com elogios ponderados e críticas bem direcionadas, dividindo a opinião geral.
*Não temos fotos do show da Estereoterapia porque o fotógrafo responsável não enviou.
Vídeo, Audio & Texto
O evento foi todo registrado pelo núcleo de audiovisual do Enxame Coletivo. As imagens farão parte de produtos audiovisuais relacionados ao Festival Grito Rock, que serão lançados entre fevereiro e março. A noite contou ainda com a veiculação do EnxameZine #1, um livreto-bolso de seis páginas distribuído gratuitamente, mas que recebeu algumas doações.
Nos dias 12 e 13 de fevereiro, novamente no Área 51, acontecerá o Festival Grito Rock América do Sul , edição Bauru, onde quatro das cinco bandas se apresentarão junto a outras seis bandas, estimulando a circulação de música independente brasileira na região. Os convites serão vendidos à R$ 5 por cada dia do evento, e R$ 8 para quem quiser comprar os dois dias.