Pós III Convenção Paulista de Malabarismo e Circo, me vejo na obrigação de trazer um relato aqui sobre como foi toda a aamovimentação, o que aconteceu e em que sentido conseugimos evouluir com isso. Vou fazer um relato bem intimista com minha visão sobre o evento.
Fui de São Paulo para Ribeirão Preto para a convenção. Estava na capital de passagem pela @CasaFdESP para encaminhar algumas coisas do Festival Fora do Eixo. Sai com o ônibus – lotado - de São Bernardo para a convenção. Chegamos lá por vota das 5h da manhã de quinta-feira.
Quatro dias muito intensos de convenção. Me senti, mais uma vez, abduzido por aquela energia do circo. Ao chegar lá, uma das primeira pessoas que encontrei (fora a caravana SP-SBC) foi o “XiXi”, integrante do embrionário coletivo-bravos, do Rio de Janeiro. Numa conversa rápdia decidimos juntar nossas oficinas (Clave Experimental + Manipulação de 3 claves) e fazer uma “clínica” que aconteceu na quinta à tarde, sucesso. Cerca de 30 pessoas participaram e tivemos uma boa troca de experiências, ideias, truques e possibilidades de aplicação em cima do equipamento.
Na sexta-feira aprofundamos o estudo das claves numa oficina que ministrei de “Manipulação de Uma Clave”. Mais uma oficina lotada, cheia de gente e com muita troca. Os dias que seguiram, fiquei muito feliz, vi várias pessoas treinando muito e explorando aquelas possibilidades “novas” que apresentamos nas oficinas. Infelizmente ainda temos pouquissima informação e conhecimento no Brasil em maabarismo contemporâneo.
Sem dúvida nenhuma essa convenção teve uma força muito grande no malabarismo experimental. Malabaristas expoentes e referências estavam presentes e estimulando essa nova onda de estudos contemporâneos. Uma prova disso foi a disputa pelo primeiro lugar no freestyle (mostra competitiva) de claves com três apresentações experimentais, Eu, Tássio Foli e o estreante Margarina, que levou o prêmio.
No fim do dia, o Cabaré trouxe muita alegria com apresentações de alta categoria com muita classe. Os números apresentados caberiam até mesmo para uma noite de gala, foi sensacional. Aristas como Tchatcho e Elias, Tássio Folli, Pedro Mutcho Loco, Lúminero, Duba Becker, João e Letícia e Grupo Zibaldoni se apresentaram na noite de sexta-feira.
Grupo Zibaldonni: Cena do "Gran Circo Internazionale" no cabaré.
Sábado era dia de gala. Muita energia boa. Começamos com um cortejo pelo centro da cidade que culminou na apresentação de um palco aberto apresntado pelos mineiros, Foca e Sufoco. A gala, apresentada pelos Irmãos Beckers, dispensa comentários: sensacional.
Palco aberto no centro da cidade
Apresentação de acrobacia do grupo "Os Profiçççionais", de Ribeirão Preto"
À noite, Gala. Apresentada pelos Irmãos Beckers a noite teve artistas locais, artistas brasileiros, argentinos e chilenos. Com apresentações de malabarismo de contato, malabarismo experimental, diabolô, tecido, claves, trapézio, bolinhas e monociclo apresentados respectivamente por (da direita para a esquerda na foto abaixo): Rafinha(Franca), Otávio Fantinato (São Bernardo do Campo), Aires (Curitiba), Letícia (Ribeirão Preto), Pablo Pico (Argentina), Joaquim (Chile) e Jesus (Ribeirão Preto/São Paulo)
Artistas da Noite de Gala
Depois da gala, "Renegala", O Tradicional "Renegados" aconteceu no fim da noite com mais outras tantas apresentações de auto nível técnico, cênico e foi finalizado com um número escatológico. Proibido para menores de 18 anos as regras dos "Renegados" é clara: só não vale morrer. As apresentações aqui são premiadas com cerveja (dessa vez com um copo de chop) ou - se forem ruins - levam latadas do público para expulsar o responsável pela apresentação. Apresentei uma pesquisa de manipulação com vassoura e uma clave e no final, ganhei meu chop.
No domingo, a final do “Volei-Claves” e mais algumas oficinas encerravam as atividades. Conseguimos reunir, nesse último dia de convenção cerca de 20 pessoas para conversar um pouco sobre produção, auto-gestão, troca de serviços e processos colaborativos. Fiz uma rápida apresentação do Fora do Eixo e trocamos alguns contatos. Encaminhamos uma lista de discussão para trabalhar as próximas convenções e o planejamento de estruturação da cena circense no Brasil. Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo estavam presentes na covnersa. Achei bancana que encontrei agentes do Fora do Eixo na convenção. Além de mim, representando o Enxame Coetivo estavam lá também representantes do Coletivo Megalozebu, Massa Coletiva e Coletivo Bravos (embrionário coletivo que tem se aproximado da rede por meio do #PFE), respectivamente: Mayron Engel, Leonardo "Algodão" e Luiz "Xixi".
Mais de 30 oficinas, 15 apresentações, renegados, conversas, competições e sempre com muita movimentação, presença e participação de todos. Senti uma energia muito boa em todos esses dias de convenção e consegui fazer contatos para estabelecer um diálogo e pensar parcerias.
Luis "Xixi", do Coletivo Bravos em apresentação Freestyle de 3 bolas.
Rolou muita coisa, mas para resumir posso falar que a convenção foi intensa em todos os seus sentidos. Consigo sentir o “upgrade” técnico, a abertura de vários artistas para começarmos a pensar num trabalho colaborativo e na estruturação do circo no Brasil, além da alegria de ter encontrado tantos amigos e trocado tantas experiências.
Agora, é esperar pela nacional e planejar melhor para conseguir fazer mais conversar e evoluir mais rápidamente no presencial. A convenção foi organizada basicamente por 3 pessoas (Du Circo e Marcílio – que sempre se envolvem na produção das convenções – e o Marcelo Mamute, de Ribeirão Preto, que participou pela primeira vez da organização de uma convenção) e de forma auto-sustentável. O evento teve cerca de 150 participantes e aconteceu na Cidade do Circo e na Casa das Artes. Sem dúvida nenhuma, Ribeirão Preto não será mais a mesma cidade quando falarmos de circo. Acredito que a convenção lhes serviu como incentivo, pesquisa e aprendizado.
Muito obrigado a todos que participaram de alguma forma da convenção.
Abraços a todos!
Artur Faleiros
Enxame Coletivo
Palco Fora do Eixo
(14) 9608-0905